O documento mantido sob sigilo que promete blindar a influenciadora
Uma cláusula financeira mantida longe dos olhos do público virou a principal carta na manga da operadora da plataforma de apostas Blaze no tribunal. A Foggo, empresa detentora da marca no país, apresentou sua defesa formal na Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e anexou a cópia integral do contrato de prestação de serviços assinado por Virginia Fonseca.
O objetivo do documento é desmantelar uma das teses mais graves da acusação, que apontava que os ganhos da empresária oscilavam conforme o prejuízo acumulado pelos usuários cadastrados. A defesa provou nos autos que a famosa acertou um cachê fixo pago logo na assinatura do acordo, além de repasses mensais idênticos ao longo de um ano e meio, sem qualquer percentual sobre as perdas dos apostadores.
O processo exige uma indenização coletiva solidária no valor astronômico de R$ 120 milhões por supostas práticas abusivas em divulgações de jogos de azar. A contenda ganhou tração após a criadora de conteúdo publicar vídeos simulando uma aposta no confronto entre Argentina e Cabo Verde, válido pela Copa do Mundo de 2026, sem identificar a ação como material publicitário de forma clara.
Perícia estatística para derrubar a tese de manipulação no jogo
Para rebater o argumento de que a postagem da loira provocou uma corrida desmedida de palpites na partida internacional, a empresa contratante decidiu ir além dos argumentos jurídicos convencionais. A defesa solicitou formalmente a realização de um estudo pericial estatístico minucioso para mapear a movimentação da plataforma durante o evento esportivo.
A intenção é comprovar com números brutos que o pico de cadastros e apostas naquele confronto foi fruto do interesse natural do público pela competição mundial, e não um impacto direto dos vídeos publicados pela apresentadora em suas redes digitais.
A análise técnica quer mensurar exatamente se a imagem da influenciadora gerou conversão real de novos clientes ou se o volume financeiro movimentado na data seguiu a média padrão registrada em partidas de grande apelo comunitário.
Cláusulas de conduta e o uso estratégico da fama
Outro ponto destacado pela defesa da operadora de apostas diz respeito às obrigações éticas estabelecidas antes do envio de qualquer gravação ao ar. O contrato firmado com a esposa de Zé Felipe previa expressamente o cumprimento das diretrizes do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), incluindo as regras do guia de etiqueta para criadores de conteúdo.
A empresa também rebateu o foco excessivo do órgão fiscalizador sobre o alcance digital da famosa. A peça jurídica pontua que a legislação brasileira não impõe limites ao tamanho da audiência de um garoto-propaganda, tornando descabida a tentativa de punir a marca apenas pela popularidade de seus contratados.
Como argumento final para rebater a tese de exploração de vulnerabilidade, a defesa resgatou uma campanha institucional focada em apostas conscientes, estrelada por Virginia ao lado do jogador Neymar. Segundo a empresa, a iniciativa prova o compromisso com a orientação do público e afasta a narrativa de que a influenciadora atuava meramente para atrair usuários ao erro.
https://www.metropoles.com/colunas/fabia-oliveira/blaze-rebate-mp-e-pede-pericia-em-acao-de-r-120-milhoes-com-virginia
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