O clima pesou nos bastidores de Brasília e foi parar direto nas mãos da Justiça. O deputado federal André Fernandes apresentou sua defesa oficial no processo movido contra ele pela deputada Erika Hilton por danos morais e transfobia. Segundo apuração exclusiva da colunista Fábia Oliveira, do Metrópoles, o parlamentar decidiu ir para o tudo ou nada: alegou que suas falas estão protegidas pelo mandato e ainda acusou a rival de manipular os fatos para criar uma narrativa das redes sociais.
A briga judicial — que envolve um pedido de indenização de R$ 30 mil — teve início em junho, após um embate tenso entre os dois durante as discussões da PEC pelo fim da escala 6x1 na Câmara.
"Ovular de verdade" e nome de registro: o pivô da polêmica
O estopim do processo foi um vídeo publicado por André Fernandes no Instagram. Na gravação, o deputado se dirigiu a Erika Hilton usando o nome de registro da parlamentar e empregando termos no gênero masculino. Não bastasse isso, Fernandes ironizou a colega afirmando que o estresse a levaria a "ovular de verdade".
A reação foi imediata. Acionada por Erika, a Justiça concedeu uma liminar determinando que a Meta (proprietária do Instagram e Facebook) apagasse o conteúdo da rede.
"O vídeo foi gravado como resposta a uma provocação. A deputada retirou os fatos de contexto e apresentou uma versão editada da realidade", sustentou a defesa de André Fernandes em petição anexada ao processo no dia 24 de julho.
Alfinetada com "depilação íntima" e manobra de defesa
Na tentativa de reverter a liminar e se livrar da condenação, o deputado alega que apenas reagiu a um ataque prévio de Erika. No plenário, a parlamentar disparou que era humilhante "se tornar deputado ensinando na internet a fazer depilação íntima" — provocação que resgatava vídeos antigos do cearense e que viralizou na web.
Fernandes defende que a troca de farpas está diretamente ligada à sua atividade legislativa. Por isso, exige a aplicação do escudo da imunidade parlamentar, dispositivo da Constituição que protege opiniões e palavras de deputados no exercício da função.
Próximos capítulos: depoimento cara a cara e testemunha no tribunal
Disposto a confrontar a deputada, André Fernandes quer dar um tom dramático à fase de instrução do processo: solicitou o depoimento pessoal de Erika Hilton cara a cara com o juiz e ainda arrolou o deputado federal Cabo Gilberto como sua testemunha oficial.
Com acusações cruzadas, pedidos de revogação de liminar e os bastidores inflamados de Brasília, a batalha entre os dois expoentes da nova política promete novos episódios barulhentos. Resta saber se o Judiciário vai aceitar a tese da imunidade parlamentar para acobertar ataques pessoais fora do plenário ou se o boleto de R$ 30 mil vai chegar no gabinete do deputado.
https://www.metropoles.com/colunas/fabia-oliveira/andre-fernandes-se-defende-em-acao-de-erika-hilton-por-transfobia
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