Uma decisão baseada em fé e tradição transformou os bastidores do Carnaval carioca. Ao assumir o posto de destaque na quadra da Acadêmicos do Grande Rio, Anitta recusou o protocolo tradicional de passar a coroa pelas mãos de sua antecessora, Virginia Fonseca. O ato exigiu uma adaptação imediata da diretoria da escola de samba.
A cantora garantiu que a honraria fosse entregue por Eloína dos Leopardos, ícone histórico e primeira rainha de bateria do Rio de Janeiro. A escolha não foi estético-artística, mas sim um cumprimento rigoroso de preceitos religiosos que regem a vida da artista.
A sacralidade do orí e o veto a mãos despreparadas
Praticante do candomblé, a cantora segue normas estritas sobre quem pode tocar a sua cabeça. Na tradição iorubá e nas religiões de matriz africana, essa parte do corpo é chamada de orí, conceito que representa a consciência, a individualidade e o próprio destino da pessoa.
Por ocupar o centro da conexão com o sagrado, o orí exige proteção constante. Permitir o contato de pessoas sem o devido preparo espiritual pode abalar o campo energético e desalinhar a vida do indivíduo.
Mãos não iniciadas ou sem o devido resguardo podem transferir cargas indesejadas, como inveja, cansaço e vibrações em desequilíbrio. Para evitar essa quebra de axé, a artista vetou a entrega formal por Virginia Fonseca, blindando sua energia no momento festivo.
A força de Eloína dos Leopardos e o respeito às origens
A presença de Eloína dos Leopardos no centro do palco trouxe peso ancestral ao evento. Pioneira nas passarelas do samba ao inaugurar o posto de rainha de bateria, Eloína carrega a bagagem e a preparação necessárias para conduzir um ato de tamanha responsabilidade espiritual e cultural.
Anitta nunca escondeu sua devoção ao candomblé, integrando sua fé com a rotina de apresentações e grandes eventos públicos. A decisão na quadra da Grande Rio reforça como a cantora impõe seus limites pessoais e religiosos, mesmo sob os refletores do show business.
Repercussão na quadra e o espetáculo da Poderosa
Apesar da quebra de protocolo com a ausência do gesto vindo de Virginia Fonseca, o público presente acompanhou um verdadeiro espetáculo. A artista fez do palco da agremiação o cenário para uma apresentação marcante, celebrando a nova fase com a comunidade de Caxias.
A postura da cantora virou assunto entre frequentadores do samba e praticantes das religiões de matriz africana. A atitude foi lida como uma afirmação de respeito às suas raízes e um ato de preservação de seu axé frente às convenções sociais da festa.
Ao colocar a tradição espiritual acima do script comercial do Carnaval, a artista resgatou a essência ancestral do samba. A coroação conduzida por Eloína dos Leopardos reafirma a postura de uma figura pública que protege sua fé e valoriza a história das religiões de matriz africana em cada passo de sua trajetória.
https://extra.globo.com/famosos/noticia/2026/09/o-que-e-ori-entenda-por-que-anitta-exigiu-ser-coroada-por-eloina-dos-leopardos-e-nao-por-virginia.ghtml
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