Ator PCD de 'Dona de mim' lembra preconceito por namorar rapaz


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Destaque de "Dona de Mim" com o personagem Peter, na nova novela das 7, Pedro Fernandes compartilhou sinceramente sobre a descoberta de sua sexualidade. O ator, de 33 anos, revelou que manteve um relacionamento com um rapaz por quatro anos e enfrentou desafios dentro do próprio movimento LGBT.

“Tive um relacionamento [homoafetivo] por quatro anos e atualmente estou solteiro. Durante esse tempo, enfrentei muitas barreiras e preconceitos dentro do movimento LGBT. Não sentimos muito apoio do movimento para lutar por questões e para tornar natural a presença de corpos PCDs,” lamenta.


A aceitação da própria sexualidade na adolescência também não foi um processo simples para Pedro. “Foi bastante desafiador aceitar-me como um homem gay e entender meu corpo como um corpo gay, um corpo com deficiência LGBT, que lida com dois tipos de preconceitos ao mesmo tempo. Primeiro, tive que romper a bolha interna, da descoberta, que é muito solitária. Depois, enfrentei a resistência familiar e, por fim, a barreira social, que inclui a aceitação dos amigos e do próprio movimento, em reconhecer e respeitar esse corpo com deficiência,” declara.

“Hoje percebo a importância de me posicionar como um homem gay com deficiência, que é, de certa maneira, um posicionamento político, algo que não se vê com frequência. Quando me assumi, foi uma descoberta bastante solitária; fui para a internet em busca de pessoas que se assemelhassem a mim. E encontrei, pois existem. Precisamos apenas naturalizar, acolher e perceber que a diversidade é muito mais ampla e plural do que a palavra sugere.”

Natural de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o ator teve sua estreia na televisão após brilhar na peça "Meu corpo está aqui," que conta com um elenco de PCDs (Pessoas com Deficiência). “A novela terá o papel de quebrar esta bolha e naturalizar o corpo com deficiência em diversos contextos, sempre com humor e leveza. O Peter, meu personagem, é uma pessoa bem-humorada, que trabalha na padaria do pai (Ernani Moraes) e deseja viver, rompendo também com essa bolha familiar,” explica o ator, que foi convidado pela autora, Rosane Svartman.


Pedro menciona que ele mesmo superou essa barreira em sua casa. “Meus pais sempre me apoiaram e me ensinaram que o mundo não foi ajustado para mim, mas existem possibilidades. Será mais complicado, mas a possibilidade é real. Fui capaz de fazer minha família acreditar que tenho potencial para ultrapassar essa bolha e conquistar minha independência e autonomia. Graças a Deus, tenho uma ampla rede de apoio composta por amigos, familiares e colegas de trabalho.”

Pedro Fernandes tem paralisia cerebral, mas seu cognitivo é preservado. Ele começou a atuar no teatro aos 12 anos e se formou em 2014 no Instituto Técnico do Brasil (ITB). Desde então, ele se dedica à arte. Há um ano e meio, mudou-se para o Rio de Janeiro após participar como um dos palhaços do projeto Doutores da Alegria, que traz alegria a pacientes nos hospitais.

"Minha vida segue uma rotina comum. Conto com o apoio de alguém que me auxilia nas tarefas diárias, e busco enfrentar os desafios que surgem da maneira mais eficaz possível. A sociedade ainda não está adequada para acolher indivíduos com deficiência. É necessário batalhar por acessibilidade, embora isso esteja previsto em lei, muitos lugares ainda não a oferecem. No entanto, isso não me impede de querer estar presente."

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